quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Porifera Calça Quadrada

Seria um leuconóide
Ou um siconóide complexo?
O sistema aquífero do Bob Esponja
Ainda me deixa perplexo

Talvez devêssemos classificar
Tudo de maneira diferente
Pois ele é uma esponja não-séssil
E anda que nem gente

Além disso tudo, ainda
Come hambúrguer de siri
Como é bizarro esse desenho
A esponja mora num abacaxi

O plâncton de um olho
Tem planos de dominação
É maléfico e mora num balde
Expert em teorias da conspiração

E o desenho é pervertido
Repare só, e imagine
Qual o propósito subliminar
de um nome como Fenda do Biquíni?

Por Alliah

sábado, 19 de setembro de 2009

Role Playing Life... Oops, Game!

Não bastaria pra todo bom geek
Ter Ctrl Z na vida e na faculdade
Bluetooth mental em dia de prova
F5 nos momentos de ansiedade

No cérebro uma porta USB
Ideia mais do que comentada
Só falta algum japonês
Se empenhar de vez nessa empreitada

Pros dias de autismo opcional
Mostre sua relação com o RPG
Diga não é o personagem principal
Tá de passagem só como NPC

Mas mantenha a calma sempre
Se algum burro idiota te perturbar
Você é um ser superior, então tente
AYBABTU mentalizar

E recorde dos momentos de jogo
Algum MMORPG que te excita
Você sempre se controla entre os mapas
Mesmo sabendo que o Loading fode a vida

Por Alliah

domingo, 13 de setembro de 2009

Papo Universitário

Biólogos são aqueles que destroem sua infância

Maldizem a dispersão e defendem a vicariância

Vertebrados, claro, não formam um grupo monofilético

Equívoco dos cientistas classificar pelo estético


Mude o papo com sua família, filhos e netos

Não queira educá-los por caminhos incertos

E o que diabos, então, deve dizer, afinal

Não se preocupe, comece pela seleção natural


Que peixes não existem e galinhas são répteis

Que invertebrados são fantasia de mentes muito férteis

Não há ser vivo mais evoluído, somos todos iguais

Tão desenvolvidos quanto minhocas e outros mais


Preconceito seria considerar a maldita visão clássica

Era dos mamíferos e répteis, tudo a mais pura falácia

Já dizia J. Gould, dos outros seres não esqueçamos nenhum

Afinal temos todos um único ancestral comum


Da próxima vez que avistar um sabiá

Pense bem antes de frágil e indefeso achá-lo

Reveja Jurassic Park e logo lembrará

Que é sempre bom respeitar um dinossauro.


Por Alliah

sábado, 12 de setembro de 2009

Da Quântica à Relatividade

Como uma bola de bilhar num jogo newtoniano

As tacadas são feitas de maneira equivocada

Esquecem as variáveis e usam números levianos

Em equações lineares de uma matemática errada


Não é de se admirar que esses senhores ignorem

Toda o caos infiltrado em seus sistemas dinâmicos

E, famintos, a beleza fractal devorem

Enquanto reviram-se no túmulo, todos os quânticos


Trata-se de partículas subatômicas e não-linearidade

Falamos então de questões estatísticas de probabilidade

De flutuações imprevisíveis e padrões escondidos

Do neutrino e do quark, dos quasares ao infinito


No lugar de jogar sinuca com física clássica

Mais interessante seria brincar com o gato vivo e morto

Pular como elétrons excitados com energia máxima

Interagir com partículas de um mundo inteiro novo


Imaginar dimensões extras numa nova geometria

Sair da fusão nuclear do Sol direto pruma estrela fria

Brincar de ser um táquion e desafiar o fóton

Zombar de léptons e orgulhar-se em ser um bóson


Fantasiar como seria estar na beira de um buraco-negro

Ver a luz sendo engolida e apreciar o óbvio medo

Vislumbrar a singularidade e do Big Bang lembrar

Em paradoxos primordiais e questões entrópicas pensar


Descer até a escala de Planck e chegar à última fronteira

Pular com as supercordas numa inocente brincadeira

Surfar na malha quântica e ver o gráviton fluindo

Para outras dimensões paralelas o danado vai fugindo


Nessa viagem subatômica, meus átomos desintegrei

Por matéria e energia escuras, e até buracos de minhoca eu passei

Dei um oi pro bóson de Higgs e minha aventura continuei

Como eu gostaria de ter imagens pra poder provar o que falarei


Pois o mais surpreendente foi ao final da empreitada

Numa explosão de supernova vi-me ao infinito atirada

E pra onde fui arremessada? Imagine só você,

Acabei indo parar numa das colisões do LHC


por Alliah

Devaneio Paleontológico

Poderia imaginar um mundo diferente

Onde terópodes fossem a espécie dominante

Dinossauros mesozóicos teriam uma mente?

Seriam eles menos aterrorizantes?


Pretensão de nós, meros mamíferos racionais

Achar que eles teriam uma forma semelhante

Seriam apenas um táxon diferente de animais

Que nós, com certeza menos ignorantes


Pelo menos ainda podemos ver dinossauros

Voejando pelos céus, pássaros de cor e som

Mas sei que é menos emocionante

Do que dar de cara com um Iguanodon


Quem sabe, então, se não seremos enfim extintos

E outra espécie se desenvolverá

Um meteoro como o de Yucatán e findo

Toda nossa civilização primitiva cairá


A profecia maia mesclando-se à deusa indiana

Shiva dançaria em sua colossal destruição

Mas não acredito nessa baboseira mundana

Somente idolatro o Google e a Evolução


Ultrapassar as fronteiras da Ciência

Estudar os fósseis e reconstruir o passado geológico

Escrever em poesia da fauna e flora, toda a vivência

Pincelar números e palavras num raciocínio lógico


Ainda assim sonhar com ucronias biológicas

Ter um Velociraptor de estimação

Criar Tiranossauros em cativeiro

Morar na beirada de um vulcão.


Percorrer as densas florestas do Jurássico

Admirar os grandes mares e as cicadófitas

Viajar no tempo num artefato fantástico

Misturar poliquetas e Drosophilas


Do Mesozóico ao Cenozóico, de volta à realidade

Cheio de livros, artigos, espécimes e anotações

Andando pelos corredores da Universidade


por Alliah